Telhados de vidro no Fórum da Liberdade | Mauro Knjinik

Texto extraído da fala de Mauro Knijinik, secretário de Desenvolvimento e Produção Indutrial do Rio Grande do Sul, no 17ª reunião do Pleno do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES-RS)

O acompanhamento diário dos veículos de comunicação indica que a campanha eleitoral já está na rua, ainda que não oficialmente. A cobertura do Fórum da Liberdade, realizado nessa segunda-feira, 7 de abril, é uma amostra e remete a uma reflexão: os críticos de hoje foram alvos das mesmas críticas antes. Se estiveram no governo, porque não resolveram os problemas que cobram agora, como se fossem novos?

O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, e o ex-ministro Pedro Parente estiveram recentemente no Estado, ambos com um discurso sobre a falta de confiança que atrapalha investidores.

Em relação ao primeiro, lembro apenas um episódio para questionar a validade de suas análises: foi em sua gestão à frente do Banco Central que o Brasil sofreu um ataque especulativo que pôs abaixo o regime de câmbio fixo e impôs o câmbio flutuante. Era janeiro de 1999, segundo mandato de FHC. Gustavo Franco caiu do posto, afinal o presidente do Banco Central foi vencido pelo mercado que tanto defende. Naquele momento a política monetária do país não era gerida pelo governo e sim por especuladores.

Quanto a Pedro Parente, uma volta ao mesmo ano de 1999 também pode ser didática: no Carnaval daquele ano, Parente, então secretário-executivo do Ministério da Fazenda, estava em Washington, fechando um acordo com o FMI. Sim, naquela época, o Brasil obedecia ao FMI, do qual era devedor.

O Brasil de então protagonizava uma polêmica internacional, pela indicação de Armínio Fraga para o Banco Central. Paul Krugman, um dos maiores economistas americanos e prêmio Nobel, afirmou que o Fundo Soros havia comprado títulos da dívida brasileira pouco antes do anúncio da escolha de Armínio Fraga, que havia feito carreira nos Estados Unidos a serviço do megainvestidor (e especulador internacional) George Soros.

Três anos depois, o mesmo Parente, já no cargo de ministro da Casa Civil, defendeu Armínio Fraga das críticas sobre sua atuação no Banco Central em meio à crise cambial. Quais foram os argumentos? Os interesses privados do mercado e o período eleitoral. Segundo ele, era por esses motivos que o câmbio estava depreciado, mesmo diante do que considerava bons fundamentos da economia.

Os mesmo motivos não valeriam para as crises de hoje? Ou será que o mercado não tem mais interesses privados? E ano eleitoral, por acaso, não mexe mais com interesses pessoais e partidários?
Enfim, como diria o gaúcho Aparício Torelli, mais conhecido como Barão de Itararé: Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo!

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