O enigma de 2014 | Vinícius Wu

Publicado originalmente na Zero Hora, em 27 de maio de 2014

Os protestos de 2013 consolidaram uma importante alteração na agenda política nacional. A qualidade dos serviços públicos emerge como tema central e deve ser decisiva nas eleições de outubro. Essa é uma das conclusões da pesquisa realizada pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), publicada pelo jornal O Globo no último domingo.

A pesquisa ouviu 3,6 mil pessoas em seis regiões metropolitanas do país e atesta o aumento da insatisfação dos brasileiros com os serviços ofertados pelo estado. Os insatisfeitos com a segurança pública somam 80%; saúde, 79%; e transporte, 73%. Ao mesmo tempo, os entrevistados reconhecem a melhoria da situação econômica nos últimos anos e revelam-se otimistas em relação ao futuro.

É possível concluir que a agenda nacional está se deslocando: o tema da distribuição de renda vai cedendo lugar ao da qualificação dos serviços públicos, resultado direto do processo massivo de inclusão social verificado na última década.

As eleições de 2014, em grande medida, serão definidas pela capacidade dos partidos, e seus candidatos, de traduzirem o desejo de mudança, identificado pelas pesquisas de opinião, em proposições que resultem numa qualificação substancial dos serviços.

Portanto, é preciso projetar uma agenda que assegure as conquistas dos últimos anos e avance em direção a temas ainda represados, como a promoção de estratégias mais eficazes de segurança pública e saúde. E, ao contrário do que supunham os arautos do “déficit zero”, os brasileiros clamam por mais ação do Estado e não menos. A qualificação da gestão deve estar no centro dessa nova agenda. Não basta ampliar recursos, é preciso regular e qualificar o investimento público. Trata-se de um desafio que envolve os governos federal, estaduais e municipais.

O atual governo do Rio Grande do Sul tem buscado, através da recuperação das funções públicas do Estado e da reestruturação da gestão estadual, avançar em direção a essas questões. Não é algo que se conquiste através de soluções milagrosas, mas com perseverança, perspectiva estratégica e estímulo à participação efetiva da sociedade nas decisões públicas.

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