Eduardo Campos murchou? | Vinícius Wu

A ultima pesquisa Ibope (18/11/13) traz poucas novidades em relação às sondagens mais recentes. As oscilações dos candidatos, predominantemente, se deram dentro da margem de erro. Talvez o único elemento novo a ser destacado seja a variação negativa das intenções de voto em Eduardo Campos. Em todos os cenários, o Governador de Pernambuco perdeu posições.

No cenário mais provável, no qual Campos concorre com Dilma e Aécio, o candidato do PSB aparece com 7% das intenções de voto, contra 10% da pesquisa anterior. A tão comemorada chegada ao “patamar de dois dígitos” não se consolidou, ao menos por enquanto. A mesma variação foi registrada no cenário que apresenta José Serra como candidato do PSDB. Em ambos, Dilma teve oscilação positiva, chegando a 43% no primeiro cenário.

Mas o dado que deve mesmo preocupar a dupla Marina-Campos é a queda significativa de Marina nos dois cenários nos quais ela é apresentada como candidata no lugar de Campos. Ela cai de 21 para 16 quando confrontada com Dilma e Aécio e desce para 15 quando Serra aparece no lugar de Aécio. Em parte, a queda se deve à disseminação da informação de que a mesma não deve ser candidata. Porém, fica evidente que, por hora, a candidatura Campos não apenas patina, como também começa a enfraquecer a imagem de Marina, retirada da disputa real em 2014.

E o anúncio do apoio do PSD à Dilma (em 20 de Novembro) torna as coisas ainda mais difíceis para a dupla Campos-Marina. Não apenas em função do tempo de TV e dos palanques regionais que deixam de conquistar, mas também pelo afastamento de setores sociais que Campos vinha se empenhando em aproximar.

Cada definição partidária estreita, um pouco mais, as chances da dupla montar uma coalizão competitiva para 2014. E as pesquisas eleitorais costumam funcionar como uma bússola para os partidos sem cabeça-de-chapa. Portanto, péssima hora para Campos cair nas pesquisas.

A queda de Campos pode ser explicada por diversos fatores. A superexposição proporcionada pelo anúncio da aliança com Marina serviu para impulsioná-lo, mas, claro, seu efeito não ia durar para sempre. Campos foi inflado, com uma generosa cobertura de mídia na ocasião da desistência de Marina. Mas, agora que o gás se foi, parece ter murchado. Não se pode construir uma candidatura presidencial com base em factoides. É preciso desenvolver musculatura para entrar, de fato, no jogo.

Outro problema de Campos é sua estratégia de criticar a todos sem se confrontar com ninguém. Por um lado, diz querer mudar e melhorar o que avançou nos últimos anos. De outro, critica a falsa “polarização”, mas não se distingue do PSDB. Sua promessa de “fazer mais” é abstrata e não oferece qualquer segurança. Na falta de um discurso, os eleitores de Marina vão aderindo a algum outro, ou a nenhum, como demonstram as pesquisas.

Ainda é cedo para conclusões definitivas. Há muito chão pela frente até outubro de 2014. Porém, parece mesmo que após o “frenesi” da aliança com Marina, Eduardo Campos segue tendo dificuldades em enfrentar a dura realidade da disputa política nacional. E a polarização PT-PSDB, afinal, não é tão artificial quanto supõe o pernambucano.

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