Comentários sobre a pesquisa Datafolha | Vinícius Wu

1. O efeito das inserções do PSB na TV foi nulo para Campos, que segue a enfrentar o problema do desconhecimento na maior parte do país. O talk-show com Marina não parece ter empolgado. Ou, talvez, Marina tenha ofuscado o pernambucano na TV, ao dividir espaço em igualdade de condições. Foi Marina quem cresceu após o tempo de TV do PSB, passou de 23% para 27% no cenário no qual aparece como candidata.

2. E o pior para o ex-governador de Pernambuco é que, entre outubro do ano passado e agora, aumentou sua rejeição – de 25% para 33%. No mesmo período, o nível de conhecimento do socialista se manteve estável, oscilando de 57% para 58%. Portanto, Campos está aumentando sua rejeição sem ampliar o alcance de suas propostas.

3. A oposição comemora o fato da maioria dos brasileiros desejarem mudanças (72%). Mas finge que não vê a lista dos mais credenciados a realizar essas mudanças: Lula (32%); Marina (17%) e Dilma (16%). Os dois candidatos oposicionistas, portanto, amargam a lanterna do ranking. No mesmo quesito, Lula passou de 28% para 32% em preferência do eleitorado para liderar mudanças (entre fevereiro e abril de 2014).

4. Os que talvez votassem num candidato apoiado por Marina caíram de 39 para 33%. E os que não votam num candidato apoiado pela ex-Senadora subiram de 35 para 41%.

5. Aécio anunciou recentemente que pretende levar FHC para campanha na TV. O apoio de FHC conta com a rejeição de 57% dos brasileiros, um recorde! Apenas 12% o levariam em conta pra decidir o voto.

6. Joaquim Barbosa (aquele que ia mudar o mundo) é rejeitado, como cabo eleitoral, por 39% dos eleitores, que afirmam não votar num candidato apoiado pelo Ministro do STF.

7. As suspeitas sobre a Petrobras parecem ter sido um dos fatores a retirar pontos de Dilma. Afinal, 57% tomaram conhecimento do episódio e 40% avaliam que a Presidente tem muita responsabilidade sobre a compra da refinaria em Pasadena. Mas 40% acham que a corrupção na Petrobras é igual a de outras estatais. Novamente, parece que o tema corrupção tem o efeito de desgastar, mas não o de convencer. Perde Dilma, mas ninguém ganha. Ao menos por enquanto.

8. O PSOL, que cumpriu papel importante nas eleições em 2006, corre o risco de ser completamente irrelevante na disputa de Outubro. Seu candidato sequer foi citado na sondagem mais ampla, na qual aparecem mais candidatos. Até o candidato do PSTU teve melhor desempenho nessa rodada do Datafolha.

9. Dilma, que é conhecida por 99% do eleitorado, tem os mesmos 33% de rejeição que Aécio (com 75% de conhecimento) e Eduardo Campos (conhecido por 58%). Talvez aqui tenhamos uma pista para entender a dificuldade dos dois em serem porta-vozes do sentimento de mudança. Seriam apenas “mais do mesmo” para a maior parte do eleitorado? Os dois seriam políticos “tradicionais” demais para assumirem um discurso mudancista? Analisar os motivos de terem, ambos, a mesma rejeição de Dilma, ainda que menos conhecidos, pode ser um bom instrumento de analise.

10. Na preferência espontânea, um dado bastante curioso: aumentou o percentual de eleitores que não citaram nenhum candidato, de 49 para 52%. Ou seja, quando questionados sobre qual candidato pretendem votar, sem estarem diante de uma lista pré-definida, a maioria dos brasileiros segue sem citar o de sua preferência. Um indicador interessante de que, para a maioria, o pleito ainda parece distante. E ainda temos uma Copa do Mundo antes de Outubro. Realmente, tem muito chão pela frente.

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