A escolha de Marina e a política nacional

Por Vinícius Wu |

A surpresa provocada pela adesão de Marina Silva ao PSB imediatamente fez com que uma infinidade de assertivas começassem a circular nas redes sociais, blogs e portais de notícias desde as primeiras horas do sábado. Creio que ainda seja muito cedo para conclusões definitivas como a do suposto fim da polarização entre PT e PSDB. Porém, o que a última semana e a escolha de Marina nos proporcionam é uma reflexão mais profunda sobre o esgotamento de nosso sistema político e a precariedade ideológica e programática de nossos partidos e lideranças nacionais.

Em menos de 48 horas, Marina esteve entre a criação de sua rede, a adesão ao PEN ou ao PPS e, ao final, acabou indo pro PSB. Com todo respeito à biografia de Marina, não consigo acreditar que alguém, com o mínimo de seriedade, identifique alguma virtude nisso. A culpa, certamente, não é de Marina. Ela apenas resolveu “jogar o jogo”.

A última semana para trocas partidárias no Brasil antes das eleições de 2014 foi um espetáculo de banalização da política. Teve de tudo. Partido correndo atrás de celebridades. Deputados circulando freneticamente pelos corredores do Congresso Nacional atrás de adesões de última hora. Expulsões “brancas” em diversos partidos políticos, seguidas de filiações que mais pareceram compra de legendas por caciques regionais. Enfim, nossa política nua e crua, com todas as suas deformações e vícios.

Na grande mídia, a cobertura da imprensa pareceu unicamente preocupada com o destino de Marina e os eventuais obstáculos à reeleição de Dilma. Pouca crítica se ouviu ao atual modelo eleitoral, corrompido pelo poder econômico e pelo famigerado “tempo de televisão”.

E goste-se, ou não, os últimos dias decretaram o fim de todo falso moralismo na política nacional. Os concorrentes às próximas eleições se viram diante do imperativo de “dançarem conforme a música”. Nosso sistema político é mesmo uma formidável máquina de moer coerência e biografias.

A tal Reforma Política – tão combatida pelos udenistas de hoje – seria a única forma de recuperar a dignidade da política partidária, mas ela não interessa aos mercadores da política e da informação. E assim seguimos.

Os protestos de Junho e as aspirações por mudanças estruturais no sistema de representação parecem fazer parte de um passado distante para muitos políticos e ‘formadores de opinião”. Mas não seria sensato apostar em tamanho arrefecimento da crítica ao nosso sistema político, expresso nas ruas brasileiras ao longo de 2013. É pouco provável, inclusive, que a rejeição à política tradicional não tenha se ampliado nos últimos dias em virtude de cenas tão explícitas de pragmatismo e incoerência ideológica generalizada.  Gostaria de estar errado.

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2 Comentários

  1. Vinicius sua avaliação deve levar em conta o beija mão de Lula ao “grande politico” e exemplo de político Paulo Maluf, da política lulista e de dilmista de abrir mão para que os principais bancos tivessem os maiores ganhos do mundo sem qualquer responsabilidade social. Os assentamentos agrários estão empacados a mais de quatro anos e a reforma agrária não se fala – este governo deveria também ser obrigado a tirar a mascara e mostrar o que pensa sobre o PL 4330 – sobre o salário nacional dos bombeiros e policiais, sobre a reforma política com financiamento público de campanha e principalmente se livrar do Mensalão que ainda terá contornos políticos ainda mais arrasadores – a chegada de médicos estrangeiros ao país e todo a propaganda a seus respeito só se sustentará se houver estrutura para que estes guerreiros estrangeiros que vieram para cá possam desempenhar o seu papel de médico. Os programas sociais mantidos e elaborados pelos três mandatos petistas não serão capazes de segurar as denúncias de mal uso do dinheiro público, da corrupção em vários setores – você mesmo amigo começou sua militância mais a esquerda na DS Democracia Socialista aqui na UFRJ no Rio de Janeiro e agora esta em outra frente com Tasso Genro – Wu, explique primeiro as alianças revolucionárias com o PMDB de Renan Calheiros Família Sarnei, e Fernando Collor de Mello – Até hoje este governo não colocou uma medida a favor dos trabalhadores nem uma – não dialoga com os movimentos sociais e sindicais e criou um hiato com os partidos que historicamente apoiaram a chegada de Lula ao poder, estranho seria para vocês portanto uma candidatura ligada ao Psol, ao PCB, ao PSTU, ao PCO, mas, o que esta sendo proposto não é diferente do que a pratica petista ensinou, então na boa chega de hipocrisia não somos mais criança e nem ingênuos para acreditar nas velhas avaliações de um partido que mudou tanto a ponto de não se reconhecer mais.

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  2. Wu,

    Mais uma artigo do inteligente e amigo WU, que coloca a REFORMA POLÍTICA com essencial para a nova politica- participativa e ética que leve ao desenvolvimentismo econômico e social. Pais rico é Pais de classe média.
    DILMA + TARSO …..2014.

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