A década da dignidade

por Alberto Koppitke

Dentro de dois meses, o país completará quase uma década governado pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Embora muitos dos mais ardorosos opositores do atual governo queiram notabilizá-lo como um governo de continuidade, o fato é que a década petista foi uma época de ruptura.

Ruptura de uma dupla causa de força que tantas vezes impediu o país de alcançar seu desígnio histórico. Por um lado a amarra econômica na qual o desenvolvimento era sempre uma promessa de futuro para os dois terços de baixo da população. Por outro lado, a democracia sempre tutelada por segmentos que se reservaram no direito de decidir o que é melhor para o Brasil.

Passados estes vinte anos de chumbo e mais duas décadas perdidas (1984 – 1994|1994 – 2002), o Brasil reencontrou-se com a dignidade do seu povo. Dignidade da liberdade, de inclusão, da justiça social. É preciso celebrar estes tempos, tão raros em nossa história.

É essa a dignidade interna que nos dá autoridade para exercer nossa dignidade externa. Olhar as outras nações desenvolvidas de igual para igual sem aceitar que nosso destino seja governado por interesses diferentes, (se não raras vezes, divergentes) daqueles que realmente almeja o povo brasileiro.

Não seria adequado chamar esse período de “anos dourados”, porque traria a falsa ilusão de riqueza, normalmente vivenciada por poucos. Podemos dizer que por algum tempo, tivemos uma década de falsos e efêmeros milagres de racionalidade duvidosa. E nem foi um tempo que o povo precisou de um pai para construir seus direitos. Não. Foi um tempo mais modesto. Foi uma década de DIGNIDADE.

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